Muitos dos problemas emocionais vivenciados pelas famílias têm como origem as questões financeiras. A maioria da população brasileira não foi e não é educada para o mundo das finanças. Somente recentemente é que as escolas de ensino fundamental e médio se deram conta que falar de dinheiro é necessário.
Pouquíssimas famílias se importam em orientar os filhos no sentido de aprenderem a lidar com crédito, contas a pagar, renda, etc. A separação de casais por divergências na relação com o dinheiro está em crescimento: 50% dos casais que se separam apontam esta causa como a que motivou o fim do relacionamento. Tudo começa no namoro. O encantamento amoroso, a paixão, o querer bem, não podem inibir uma conversa franca sobre dinheiro.
O casal, para ter uma vida completa a dois, precisa, além da afinidade amorosa, também ter sintonia financeira. É necessário decidir qual padrão de vida a ser estabelecido, se há necessidade de conta conjunta, se os dois trabalharão, como serão os gastos gerais, qual o volume de reservas para emergências, etc.
Quando vem o filho, inicia-se uma pequena revolução nas finanças do casal. Se houve planejamento financeiro para este novo momento, as coisas tendem a ser mais fáceis, mas o que se observa é exatamente o contrário: mais gastos incorporados a um casal desorganizado financeiramente.
Quando chegam os filhos é preciso em algum momento falar com eles sobre o tema. O indicativo é que isso ocorra quando os filhos completarem cinco a seis anos. Nesta idade devem manusear o dinheiro, efetuar pequenas compras de produtos que custem alguns centavos. É muito positivo instituir semanadas. Um valor em dinheiro entregue toda semana para a criança gastar no que deseja.
Vale destacar que os pais não podem transferir para a mesada despesas que são de sua obrigação, como compras de livros, mensalidade escolar, uniformes, etc. O valor da semanada deve ser definido dentro do padrão de vida de cada família. O fundamental é que a criança preste conta em que gastou e que os pais acompanhem a vida financeira dos filhos.
Quando adolescentes, é preciso ir além. Mostrar com clareza as fontes de renda (mesmo sem declinar o montante), e quais os gastos prioritários da família. Abordar a importância em manter o nome limpo na praça e para tanto orientar para que sempre paguem em dia as contas assumidas. Educar para esses jovens guardem dinheiro.
Mostrar a importância de ter reservas financeiras para emergências. Falar de seguros, previdência privada, carreira, entre outros, garantirão educação mais completa. Nem todos os pais têm conhecimento sobre tudo, portanto, não há problema algum em buscar ajuda de especialistas e até mesmo matricular os filhos em cursos de especialização no tema.
É cada vez mais necessário educar de maneira completa e forjar cidadãos que tenham dignidade. A boa saúde financeira passa por isso. Educar financeiramente é ajudar a obter qualidade de vida.
(Fonte: Reinaldo Cafeo - JC Net)
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011
segunda-feira, 6 de junho de 2011
O aumento da inadimplência no Brasil: sobram desejos e falta educação financeira
A cada novo dia surgem diversas notícias de que as classes C e D são as meninas dos olhos do comércio e da indústria. São os principais alvos de campanhas de marketing, graças ao recente crescimento econômico do Brasil e a melhora no padrão de vida (aumento da renda média, acesso ao crédito e mais qualidade de vida) dessa parte da população.Explosão de consumo e de devedores
O resultado da explosão do consumo começou a aparecer: de acordo com a Serasa a inadimplência do consumidor registrou acréscimo de 17,3% se comparada a abril de 2010. Os números apresentados hoje representam a 12ª elevação consecutiva. Alguns dirão que os níveis ainda são baixos e administráveis. Eu prefiro ser mais realista. A situação não é boa.
Se você, perceber que está dentro dessa estatística divulgada, entenda que o grande desafio é aceitar que o (principal) culpado pela situação difícil do momento não é ninguém além de você mesmo, que optou por realizar aquisições que suas condições financeiras não permitiam.
Lembre-se ainda que a inadimplência pode levá-lo ao pior dos perigos: a necessidade de arcar com os altos juros praticados no Brasil. Vale, mais uma vez, repetir o mantra já tantas vezes mencionado por aqui: crédito fácil não é sinônimo de crédito barato. Simples assim.
Medidas de controle são necessárias
Temos percebido que o governo vem adotando medidas de restrição ao crédito. Interessante, mas ele poderia também optar por alternativas mais eficientes e práticas como a limitação de parcelas em financiamentos. Com o aumento dos juros, as pessoas não reduziram o consumo, mas optaram por aumentar os prazos.
O perigo ficará cada dia mais evidente à medida que o consumidor mais afoito for incorporando novas despesas e novos parcelamentos em seu orçamento. Uma bomba relógio está sendo armada diante de nossos olhos!
Outro ponto que não pode ser desconsiderado ao estudar os números é o quesito inflação. Ao contrário de alguns especialistas, não acredito que a alta dos preços foi o fator determinante para os resultados de agora. É inegável, estou de acordo, que alguns produtos como combustíveis e alimentos, por exemplo, tiveram um acréscimo significativo nos últimos meses.
Cartão de crédito, ferramenta de consumo e responsabilidade
Vale a lembrança de que o cartão de crédito é um grande instrumento de educação financeira, mas também é um perigo para os desavisados. Quem utiliza a ferramenta da maneira apropriada, respeitando os limites do padrão de vida, consegue usufruir dos benefícios prazo estendido, segurança e controle nas compras. Já quem utiliza o cartão de crédito sem o devido cuidado e gasta mais do que pode se virá enroscado com os mais altos juros (mais de 500% ao ano em alguns casos) e, consequentemente, com a inadimplência.
A preocupação com o cartão de crédito também se justifica pela facilidade de uso. Se você não consegue resistir aos apelos de consumo, uma alternativa é deixar o cartão em casa e não carregá-lo na carteira, optando pela sua utilização apenas nos momentos de extrema necessidade. Nessa hora, a responsabilidade com seu bolso tem que ser valorizada.
Educação financeira, oportunidade e consciência
Colocar a educação financeira em destaque no dia a dia familiar é um grande desafio. Mas, pense bem, ter que conviver amarrado, sem liberdade e envolto em dívidas, sofrimento e falta de esperança não é um desafio muito maior? Quantos já chegaram até o Dinheirama pensando que a vida tinha acabado e que não sabiam mais o que fazer para colocar as finanças em dia. Sei que não é fácil.
Por fim, reitero minha opinião de que os sinais da inadimplência podem ser interpretados como um grave perigo. Ora, na medida em que ela for aumentando, maiores serão os perigos para a economia real. Empregos, crescimento do país, oportunidades, tudo ficará comprometido. Como você pode ver, o fato de se programar para quitar suas contas possui maiores desdobramentos e consequências do que você pode imaginar.
Estar em dia com o seu bolso faz bem pra você, pra sociedade e para o país. Não comprometa seu futuro gastando sem planejar. Combinado? Até a próxima.
(Fonte: Dinheirama)
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